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Alimentação e futuro

Dia Mundial da Alimentação: inovar hoje para nutrir amanhã

16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação: a origem da data, o tema de 2026 e por que o desafio não é produzir mais comida, e sim desperdiçar menos.

Equipe Seal HortifrutiDa nossa estufa para você·5 min de leitura
Tomates cultivados pela Seal sendo colhidos diretamente da planta dentro da estufa

O mundo já produz comida suficiente para todo mundo. Ainda assim, um terço dela nunca chega a uma mesa. É esse paradoxo que o Dia Mundial da Alimentação, em 16 de outubro, coloca na roda todos os anos.

Por que 16 de outubro

Em 16 de outubro de 1945, poucos meses depois do fim da Segunda Guerra Mundial, nascia em Quebec, no Canadá, a FAO, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. O mundo tinha lavouras destruídas, cadeias de abastecimento rompidas e escassez severa em vários continentes.

A data virou mobilização global em 1979, quando o então ministro da Agricultura da Hungria, Pál Romány, propôs um dia mundial de engajamento permanente contra a fome. A proposta foi aprovada por unanimidade, endossada pela Assembleia Geral da ONU, e a primeira comemoração oficial aconteceu em 1981. Hoje, mais de 150 países marcam a data.

O tema de 2026: inovar hoje, nutrir amanhã

Todo ano a FAO define um lema. Em 2023 foi a água; em 2024, o direito aos alimentos; em 2025, a cooperação com comunidades rurais. Em 2026, o lema é “Inovar hoje. Nutrir amanhã”.

Vale reparar no plural que a FAO passou a usar: alimentos. Durante décadas, combater a fome foi entendido como produzir mais calorias baratas. O debate atual recusa essa conta. Segurança alimentar não é entregar caloria, é garantir dietas diversificadas, seguras e nutritivas. E a inovação que a data cobra não é a que produz mais a qualquer custo, e sim a que produz melhor, com menos recurso e menos perda.

O que os números mostram

O retrato mais confiável está no relatório SOFI, da FAO com FIDA, OMS, WFP e UNICEF:

  • 733 milhões de pessoas viviam em fome crônica em 2023, o equivalente a 9,1% da população mundial.
  • 2,69 bilhões não têm renda para custear uma dieta saudável.
  • Mais de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade, muitas delas nos mesmos territórios onde falta comida de verdade.
  • 13% dos alimentos se perdem entre a colheita e o varejo e outros 19% são desperdiçados no varejo e no consumo: perto de um terço de tudo o que o mundo colhe.

O dado mais revelador não é o da fome, é o dos 2,69 bilhões que não conseguem pagar pela comida certa. O volume produzido já basta para alimentar o planeta. O gargalo está na distribuição, no preço e na renda.

E o desperdício cobra duas vezes. Quando um alimento é descartado, vai junto tudo o que entrou nele: água, solo fértil, energia, transporte e trabalho. Ainda por cima, comida em aterro emite gases de efeito estufa enquanto se decompõe. Desperdiçar alimento é desperdiçar planeta sem alimentar ninguém.

O Brasil melhorou e segue desigual

Pelo relatório SOFI referente ao triênio 2022–2024, a Prevalência de Subalimentação do país voltou a ficar abaixo de 2,5%, critério da FAO para a saída do Mapa da Fome.

Dentro de casa, o IBGE registrou avanço parecido: a insegurança alimentar caiu de 27,6% dos domicílios em 2023 para 24,2% em 2024, o que representa 2,2 milhões de lares a menos. A fome estrita recuou de 4,1% para 3,2%.

A melhora é real e desigual. A insegurança se concentra no Norte (37,7%) e no Nordeste (34,8%), enquanto Santa Catarina chega a 90,6% de domicílios plenamente seguros. Em 73,8% dos lares em insegurança grave a chefia é de pessoas pretas ou pardas, e quase 60% de todos os lares em insegurança são chefiados por mulheres. No campo, a incidência (31,3%) é maior que na cidade (23,2%), o paradoxo de quem produz comida e não tem garantia da própria.

O que isso tem a ver com quem planta

Se um terço da comida do mundo se perde, reduzir perda é, na prática, produzir alimento sem plantar um pé a mais. Essa conta começa muito antes do supermercado.

No cultivo protegido, que é como cultivamos aqui em Paty do Alferes, ela aparece em decisões cotidianas: a fertirrigação por gotejamento entrega água e nutriente na dose exata, sem sobra e sem depositar fertilizante no solo; a produção em ambiente controlado reduz a necessidade de defensivos e permite saber como, quando e onde cada fruto foi produzido; o pós-colheita climatizado faz o alimento durar mais, e alimento que estraga antes da hora é alimento que ninguém comeu.

Vista aérea das estufas de cultivo protegido da Seal em Paty do Alferes
Produzir melhor, com uso preciso de recursos e menos perdas, é uma escolha feita todos os dias.

Nada disso resolve a fome sozinho. Mas mostra que a agenda da data não é abstrata: ela se decide em escolhas pequenas, repetidas, ao longo de toda a cadeia, da estufa à cozinha.

O que dá para fazer a partir de hoje

  • Planeje a compra. Lista na mão reduz o que apodrece na gaveta.
  • Compre a porção que você consome. Embalagem grande só é economia se for consumida inteira.
  • Armazene direito. Tomates fora da geladeira mantêm aroma e textura; folhas pedem frio e pouca umidade.
  • Use o alimento inteiro. Talos, folhas e cascas rendem caldo, farofa e refogado.
  • Pergunte a origem. Saber de onde vem o que você come é o começo da segurança do alimento.

E, se der vontade de ver de perto de onde vem a comida, a Seal abre as estufas para visitação nos fins de semana.

#Dia Mundial da Alimentação#Segurança alimentar#Desperdício de alimentos#Cultivo protegido#Sustentabilidade
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